Institucional • 24.11.2020
Parque Vida Cerrado é escolhido para sediar projeto inovador de reintrodução e soltura de lobos-guarás em vida livre

O Parque Vida Cerrado – primeiro e único centro de conservação da biodiversidade, pesquisa e educação socioambiental do MATOPIBA, localizado em Barreiras – foi escolhido para conduzir um projeto inovador e extremamente importante para o manejo e conservação de uma espécie ameaçada, através de um experimento de reabilitação e soltura do lobo-guará em vida livre no Cerrado do Oeste baiano. Esta será a segunda experiência desta natureza realizada no país com o maior canídeo da América do Sul, em risco pela alteração de seus habitats. A primeira ocorreu na Serra da Canastra.

Os três filhotes órfãos de lobo-guará, que estão sob os cuidados da equipe e que estão sendo preparados a partir do desenvolvimento de um protocolo de reabilitação e posterior soltura, chegaram ao parque no mês de setembro, encaminhados pelo Zoológico de Brasília e por uma clínica veterinária de Luís Eduardo Magalhães, após tratativas entre o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA).

Para recebimento dos filhotes órfãos em caráter emergencial, o parque assumiu o compromisso de remanejar espaço, preparar um recinto temporário, adquirir equipamentos de monitoramento e providenciar a alimentação dos animais. O objetivo era alocar os filhotes em ambiente adequado e em isolamento total, a fim de diminuir as chances de “imprinting” – processo no qual os animais passam a ter uma resposta positiva à presença humana: um empecilho à reintrodução dos animais em vida livre e selvagem.

Para soltura em vida livre, os animais permanecerão sendo preparados no parque e depois serão transferidos para um recinto de reabilitação na área de uma propriedade rural parceira do projeto Conecta Cerrado, que dispõe de um trabalho positivo em preservação e restauro e de um ambiente propício para que o processo ocorra com sucesso. Após a evolução comportamental do animal, com o aprendizado e aprimoramento das técnicas de captura de presas naturais, os lobos serão dispersados em três áreas distintas e monitorados por meio de coleira com GPS e transmissores de satélites. O monitoramento fornecerá informações sobre parâmetros de atividade e a constatação do sucesso adaptativo da soltura.

Conforme explica a bióloga e coordenadora do Parque Vida Cerrado, Gabrielle Bes da Rosa, o resgate de filhotes órfãos de lobo-guará é uma realidade em todo o Brasil, gerando grande expectativa para a reinserção desses animais no seu próprio ambiente. “Temos um grande desafio e expectativa. Sem o desenvolvimento de protocolos desde o recebimento dos filhotes até o estabelecimento de suas plenas capacidades de caça, a única destinação segura é encaminhar os animais para instituições mantenedoras de fauna sob cuidados humanos (criadouros ou zoológicos), em caráter permanente. Nosso desafio é reabilitar esses animais para voltarem ao seu habitat. E é realmente um desafio, não apenas pela reabilitação, mas pela falta de informação disponível. Pouco se sabe sobre projetos nacionais de reintrodução bem-sucedidos envolvendo estes carnívoros, devido à grande demanda de tempo de pesquisa e alto custo envolvido”, destaca.

Este que se apresenta como um desafio também se configura como um evento marcante e sem precedentes na história da conservação da espécie do lobo-guará no Brasil e, especificamente, no Cerrado baiano. “A partir da experiência anterior realizada na Serra da Canastra, vamos aumentar as informações necessárias às questões envolvendo tamanho de área de soltura, tamanho e formato do recinto de aclimatação, protocolo alimentar, avaliações comportamentais e viabilidade real de reinserção na natureza, partindo de todas as particularidades regionais em pauta. A elaboração desses protocolos é urgente porque faz parte de uma linha de ação que não beneficiará um único animal e, sim, uma espécie inteira símbolo do Cerrado e maior canídeo das américas. Os resultados gerados poderão ser aplicados futuramente em todas as regiões de ocorrência da espécie”, encerra. Caliandra e os irmãos Seriguela e Araticum são os primeiros filhotes de lobo-guará que integram o projeto inédito de soltura no Oeste da Bahia.

 

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